
Procedimento estético causa mais uma morte
A recepcionista desempregada Regiane Bauer Lopes, de 27 anos, passou dois anos economizando para fazer uma série de cirurgias plásticas, conta a Folha de S.Paulo. Na manhã de sábado, 31 de Janeiro deste ano, ela foi internada no Hospital e Maternidade Master Clin, na zona leste de São Paulo. Inicialmente submeteu-se a uma lipoaspiração de 2 quilos no abdômen. Quando se preparava para a retirada de gordura das costas, sofreu uma embolia gordurosa pulmonar – quando uma placa de gordura se desprende e obstrui a artéria do pulmão. Regiane sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu.
Casos como esse são mais comuns do que a maioria das pessoas imagina. No ano passado morreram seis pessoas durante o procedimento. A lipoaspiração é a campeã de processos na área estética no Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Dos 289 processos, a maior parte referente a propagandas enganosas e resultados insatisfatórios, 33,5% referem-se a esse tipo de cirurgia. Também ocorrem problemas mais graves, como intoxicação pela anestesia e perfuração das vísceras. É o preço que se paga pela obsessão pela aparência. Todos os anos são feitas no Brasil cerca de 600 mil cirurgias estéticas. Mais de um terço são lipoaspirações.
A maior parte dos problemas decorre da falta de especialização dos profissionais. Apenas seis dos médicos envolvidos nos 289 processos em São Paulo têm certificado de cirurgia plástica. "Não é chegar no primeiro, que é baratinho e divide em 36 vezes", afirma o cirurgião José Teixeira Gama, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. "A pessoa tem que se certificar de que o médico é especializado e a cirurgia será feita em local seguro e adequado."
O caso de Regiane apresenta um agravante: o hospital não tem Unidade de Terapia Intensiva. Segundo o hospital, a UTI não é obrigatória para o tipo de serviço oferecido. "Regiane não tinha problemas de saúde e realizou todos os exames pré-operatórios, como tempo de coagulação e glicemia", disse o enfermeiro Paulo Sanches, porta-voz do hospital, ao Jornal da Tarde. "Orientamos a família e a paciente, porém, de que a cirurgia é agressiva. Não existe cirurgia sem risco, mas ele é pequeno, de 1%."
Fonte: revistadasemana.abril.com (Link Direto)




